
Sou uma alcólotra. Bebo as mágoas dos outros, e me afogo nas minhas saudades. Eu sempre tomo as dores de quem não merece. As minhas ressacas são ilimitadas, ficam na mente, no psiquico, é umas das partes que eu não sei domar, ela me domina, o meu defeito de achar que sempre ajudo os outros. Pensei em ser escritora, mas como posso ser isso, se nem me controlar psicologicamente sei? É improvável que seja verdade, que eu consiga ser algo a mais na vida além de um ser controlado por medicamentos e mágoas. Sinto que estou percorrendo ruas vazias, e do absinto me sento e rezo. Estou presa cujo lugar não sei onde é, perdida em meus pensamentos vago sozinha, e na minha triste insensatez eu continuo. Continuo vagando por aí sem saber ao menos o que procuro. Será alguma coisa real ou abstrata? Apenas sei que vou levando a vida assim, a diante. Um passo à frente, porém dois para trás. Está tudo tão tão.. não tem definição exata para isso, mas posso dizer que está um tanto nostálgico, ─ as mesma pessoas, mesmos sentimentos, tudo repetindo-se. ─ Aqui dentro, bem no fundo, sinto que nada está em sintonia, sinto que há um buraco do qual não consigo preencher. Não sei se posso mais suportar isso. São sentimentos demais, emoções demais. Minha cabeça já está a ponto de explodir, e eu simplesmente não posso fazer nada a respeito disso. Estou quase caindo de um precipício, sem ninguém para me segurar, sem ninguém para me socorrer. Não mais o que farei, não consigo mais pensar direito. Está tudo tão bagunçado, tudo tão sem sentido. Mas de uma coisa estou certa, e ciente. Tenho que parar de beber mágoas e dores que não me pertencem, isso está me consumindo demais, me afetando demais. Tenho que acabar com esse meu alcoolismo. Judith, Sarah e Gabriella (inusitados)